O Rei Preto de Ouro Preto

Maio é um mês de muitas comemorações. Uma delas acontece no dia 13. É o Dia da Abolição da Escravatura no Brasil. Na verdade, até hoje estamos tentando concretizar este feito. Ora tentamos fingir que não há marcas, ora tentamos nos ressarcir criando cotas ou outras medidas. Bom mesmo é valorizar nossa cultura.  E bonito é a maneira literária de fazer isso.
Sylvia Orthoff em seu O Rei Preto de Ouro Preto faz uso de lirismo e musicalidade e o eu lírico descreve encantadoramente o descomprometimento de todo poeta com a verdade dos fatos.

"Lembro e esqueço
e assim começo
a história de um rei...
Invento o que não sei?
(...)
Ali morava um rei
todo negro e enfeitado.
Sua pele era um negrume
da noite do estrelado.
Era preto de lindeza,
era sábio em realeza,
com certeza.
(...)
Viva Francisco, o Chico
rei de minas, do tesouro,
das liberdades totais!

Quanta dança e folia,
baticum e alegria!

Quantos anjos e noitadas,
belezuras muito puras...
e escuras!

O resto nem sei contar.
Eu sou um anjo barroco,
fugi ali do altar...
Inventei um bocadinho,
sonhei de me lambuzar,
pois sou o anjo inventado
que fugiu do seu lugar..."
(...)

 Vale a pena conferir até que ponto o poema tem algum compromisso histórico. Deixei a História/história de Chico Rei contida no poema para que vocês leiam no próprio livro. Agora imaginem que luxo uma montagem teatral de O Rei Preto de Ouro Preto... Adoraria receber um convite!
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário