Chapeuzinho Vermelho

Como eu disse ontem,antigamente as pessoas se reuniam para contar história. Hoje em dia, vão ao cinema. Ou se entregam ao "solitário" ato de ler. Solitário para quem observa o leitor, pq para o leitor, há companhia suficiente num bom livro.
Bem, um grande clássico da Literatura Oral foi mais uma vez adaptado para as Telas de Cinema: Chapeuzinho Vermelho ou A garota da capa vermelha. A inocente história da menininha q levava doces para a avó foi transformada num filme de estilo q nossos atuais adolescentes adoram!
Agora, quem nunca ouviu a clássica história levanta a mão. Aposto q muitos nunca ouviram. Pq a Chapeuzinho Vermelho q todos conhecemos foi reinventada com a ascensão da burguesia. "E no final o caçador tira a vovó da barriga do lobo mau e todos vivem felizes para sempre!" Porém, essas histórias, assim como as fábulas, serviam para educar, ensinar as pessoas sobre os perigos da floresta. O q significa q muitas vezes ou quase sempre não tinham um final feliz.
Lançarei mão da versão mais antiga q eu conheço: a de Charles Perrault. Sem floreios.




Chapeuzinho Vermelho
Era uma vez uma menina que vivia numa aldeia e era a coisa mias linda que se podia imaginar. Sua mãe era louca por ela, e a avó mais louca ainda. A boa velhinha mandou fazer para ela um chapeuzinho vermelho, e esse chapéu lhe assentou tão bem que a menina passou a ser chamada por todo mundo de Chapeuzinho Vermelho.
Um dia sua mãe, tendo feito alguns bolos, disse-lhe: "Vá ver como está passando a sua avó pois fiquei sabendo que ela está um pouco adoentada. Leve-lhe um bolo e este potezinho de manteiga." Chapeuzinho Vermelho partiu logo para a casa da avó, que morava numa aldeia vizinha. Ao atravessar a floresta, ela encontrou o Sr. Lobo, que ficou louco de vontade de comê-la; não ousou fazer isso, porém, por causa da presença de alguns lenhadores na floresta. Perguntou a ela aonde ia, e a pobre menina, que ignorava ser perigoso parar para conversar com um Lobo, respondeu: "Vou à casa da minha avó para levar-lhe um bolo e um potezinho de manteiga que mamãe mandou." "Ela mora muito longe?", quis saber o Lobo. "Mora, sim!", falou Chapeuzinho Vermelho. "Mora depois daquele moinho que se avista lá longe, muito longe, na primeira casa da aldeia." "Muito bem", disse o Lobo, "eu também vou visitá-la. Eu sigo por este caminho aqui, e você por aquele lá. Vamos ver quem chega primeiro."
O Lobo saiu correndo a toda velocidade pelo caminho mais curto, enquanto a menina seguia pelo caminho mais longo, distraindo-se a colher avelãs, a correr atrás das borboletas e a fazer um buquê com as florezinhas que ia encontrando.
O Lobo não levou muito tempo para chegar à casa da avó. Ele bate: toc, toc. "Quem é?", pergunta a avó. "É a sua neta, Chapeuzinho Vermelho", falou o Lobo disfarçando a voz. "Trouxe para a senhora um bolo e um potezinho de manteiga, que minha mãe mandou." A boa avozinha, que estava acamada porque não se sentia muito bem, gritou-lhe: "Levante a aldraba que o ferrolho sobe." O Lobo fez isso e a porta se abriu. ELe lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segundo, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama da avó, à espera de Chapeuzinho Vermelho. Passado algum tempo ela bateu à porta: toc, toc. "Quem é?" Chapeuzinho Vermelho, ao ouvir a a voz grossa do Lobo, ficou com medo a princípio, mas supondo que a avó estivesse rouca, repondeu: "É sua neta, Chapeuzinho Vermelho, que traz para a senhora um nolo e um potezinho de manteiga, que mamãe mandou." O Lobo gritou-lhe, adoçando um pouco a voz: "Levante a aldraba que o ferrolho sobe." Chapeuzinho Vermelho fez isso e a porta se abriu.
O Lobo, vendo-a entrar, disse-lhe, escondendo-se sob as cobertas: "Ponha o bolo e o potezinho de manteiga sobre a arca e venha deitar aqui comigo". Chapeuzinho Vermelho despiu-se e se meteu na cama, onde ficou muito admirada ao ver como a avó estava esquisita em seu traje de dormir. Disse ela: "Vovó, como são grandes os seus braços!" "É para melhor te abraçar, minha filha!" "Vovó, como são grandes as suas pernas!" "É para poder correr melhor, minha netinha!" "Vovó, como são grandes os seus olhos!" "É para ver melhor, netinha!" "Vovó, como são grandes os seu dentes!" "É para te comer!" E assim dizendo, o malvado lobo atirou-se sobre Chapeuzinho Vermelho e a comeu.

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