O beijo da palavrinha




Finalmente aí vai um pouquinho de Mia Couto pra vcs:

Era uma vez uma menina que nunca vira o mar.

Chamava -se Maria Poeirinha.
Ela e sua família eram pobres, viviam numa aldeia tão interior que acreditavam que o rio que ali passava não tinha fim nem foz.
Poeirinha só ganhara um irmão, o Zeca Zonzo, que era desprovido de juízo. Cabeça sempre no ar, as idéias lhe voavam como balões em final de festa.
Na miséria em que viviam, nada destoava. Até Poeirinha tinha sonhos pequenos, mais de areia do que de castelos. Às vezes sonhava que ela se convertia em rio e seguia com passo lento, como a princesa de um distante livro, arrastando um manto feito de redemoinhos, remendos e retalhos.
Mas depressa ela saía do sonho pois seus pés descalços escaldavam na areia quente. E o rio secava, engolido pelo chão.
Um certo dia, chegou à aldeia o tio Jaime Litorânio que achou grave que os seus familiares nunca tivessem conhecido os azuis do mar.
CONTINUA...

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