O beijo da palavrinha III

Contudo, a menina estava tão fraca que a viagem se tornou impossível. Todos se aproximaram da cabeceira e ali ficavam sem saber o que fazer, sem saber o que dizer. A mãe pegou nas mãos da menina e entoou as velhas melodias de embalar. Em vão. A menina apenas ganhava palidez e o seu respirar era o de um fatigado passarinho. Já se preparavam as finais despedidas quando o irmão Zeca Zonzo trouxe um papel e uma caneta.
- Vou lhe mostrar o mar, maninha.
Todos pensaram que ele iria desenhar o oceano. Que iria azular o papel e no meio da cor iria pintar uns peixes. E o Sol em cima, como vela em bolo de aniversário. Mas não. Zonzo apenas rabiscou com letra gorda a palavra "mar". Apenas isso: a palavra inteira e por extenso.
O menino ficou olhando para afolha parecendo que não entendia o que ele mesmo escrevera. Antes que disse alguma coisa, a irmã murmurou, em débil suspiro:
- Não vale a pena, mano Zono. Eu já nao distingo letra, a luz ficou cansada tão cansada que já não se consegue levantar.

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