O beijo da Palavrinha II

Que a ele o mar lhe havia aberto a porta para o infinito.
Podia continuar pobre mas havia, do outro lado do horizonte, uma luz que fazia a espera valer a pena. Deste lado do mundo, faltava essa luz que nasce não do Sol mas das águas profundas.
A fome, a solidão, a palermice do Zeca, tudo isso o tio atribuía a uma única carência: a falta de maresia. Há coisas que se podem fazer pela metade, mas enfrentar o mar pede a nossa alma toda inteira. Era o que dizia Jaime.
- Quem nunca viu o mar não sabe o que é chorar!
Certa vez, a menina adoeceu gravemente. Num instante, ela ficou vizinha da morte. O tio não teve dúvida: teriam que a levar à costa.
- Para que se cure, disse ele.
Para que ela renascesse tomando conta daquelas praias de areia e onda. E descobrisse outras praias dentro dela.
- Mas o mar cura assim tão de verdade?
- Vocês não entendem?, respondia ele.
Não há tempo a perder. Metam a menina no barco que a corrente a leva em salvadora viagem.

2 comentários:

  1. Ola!
    gostei muito da historia e legal e muito divertida nos aprendemos muitas coisas importantes que existe nesse mundo,muitas que que existem nesse mundo nao sabemos falar direito
    e que nos sabemos e so um apilido porque ja ouvimos falar ,beijos com muito carinho da sua aluna agata...*...

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  2. Oi, Renata, estou adorando esse conto do Mia, ele usa umas palavrinhas tão charmosas, né? Lembrei-me da primeira vez que vi o mar, quando eu tinha 10 anos, lá de cima do avião chegando ao Rio. Fiquei curioso agora pra saber como continua a história.

    Bjs, Vladimir
    http://cantodovladimir.zip.net

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